quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A INFÂMIA

Passadas as eleições, nas quais o aborto polarizou os debates, a Presidente recém empossada designou para uma função com status de ministra, alguém que, já antes da posse externou o seu pensamento, o qual certamente contaminará o cargo, como segue: “Não vejo como obrigar alguém a ter um filho que ela não se sente em condições de ter. Ninguém defende o aborto, é respeitar uma decisão que, individualmente, a mulher venha a tomar.” (Da Folha de São Paulo, em 27.12.2010). Essa é a posição pessoal declarada pela atual Deputada Federal pelo PT do Espírito Santo e agora ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes (54). Ministra não é legisladora, mas convém lembrar que o governo que se inicia terá ampla maioria no congresso. Os parlamentares eleitos, Deputados e Senadores, tão assíduos entre nós durante a campanha eleitoral, após empossados, não farão algo que vá muito além do conivente silêncio nesse tema tão delicado. Quem deles se posicionou contra o pronunciamento público da Ministra? Ninguém. Embora não eleito, sinto o dever de posicionar-me claramente em honra das dezenas de milhares de votos que tive. Penso o oposto dessa senhora Ministra. Aqui enfoco o tema sem adentrar nos aspectos teológicos e dogmáticos que envolvem a questão, eis que, não sou teólogo e quem o é pode fazer melhor. Atenho-me, portanto, ao lado ético, politico e legalista da questão. Abortar intencionalmente é matar. Matar deveria ser crime sempre, em qualquer sociedade e país do mundo. Assim, o que se discute é se o aborto voluntário é assassinato e crime, ou não. Esse é o cerne da questão legalista. A meu ver, quem não tem condição de ter e manter um filho, não o deve conceber inclusive amparando-se no planejamento familiar ético. Os defensores da legalização do aborto irrestrito alegam que, por ser a mulher a dona de seu corpo, ela tem a prerrogativa e o livre arbítrio de determinar o que com ele fazer. Isso é verdade na prática. Mas, somente para o seu corpo e não o de quem por concepção temporariamente o habita. A mulher decide quando iniciar a sua vida sexual. Escolhe os parceiros a quem diz sim ou não ao longo de sua vida. Decide se usará método contraceptivo ou não. Também decide se o fará protegida por preservativo ou não. Mas, se por sua decisão, em comando do próprio corpo, ela optar pelo mais fácil e irresponsável do sexo de risco, deve essa mulher assumir as consequências de sua decisão, inclusive a gravidez indesejada. Ocorrido o ato sexual e se não feitas ou falharem as práticas contraceptivas, ou até mesmo que a concepção seja fruto da negligência, o assassinato do feto por cruel dilaceração não pode ser o remédio para o mal feito. Se a mãe não puder prover vida digna ao filho concebido, então, que o dê em adoção, mas que seja dada à luz. Pergunte a uma mulher que já fez um aborto para saber o quanto lhe dói o arrependimento que só depois lhe atormenta a mente. Um feto é ser humano completo de corpo e alma. Habita por nove meses e se forma dentro do ventre da mulher, mas, não é parte do corpo da mãe. Matar o filho concebido e indefeso é o mais covarde dos crimes que um ser humano pode praticar. É o homicídio intra-uterino impetrado pela mãe contra um ser indefeso por ela própria gerado. Não poderá haver lei que descriminalize algo tão hediondo em qualquer sociedade minimamente civilizada. Passadas as eleições o tema se ausentou das mídias e do debate nacional. Voltaram a prevalecer as caladas manobras de bastidores. Se vacilarmos, agora, os maus parlamentares eleitos farão o projeto ímpio passar no congresso e o transformarão em lei. Não duvidemos disso. Há quem diga que essa é uma questão só de Estado e não religiosa. Tentam assim afastar as Igrejas do debate. Houve um tempo em que Igreja e Estado eram uma só coisa, ou seja, a primeira dominava o segundo. Hoje somos um Estado laico, sim. Estado laico não significa Estado sem religião alguma. Significa Estado de todas as religiões e da liberdade religiosa sem domínio desta ou daquela. O Estado laico e democrático deve refletir o pensamento e representar a vontade da maioria de seus cidadãos. As convicções de cidadania que moldam o Estado se formam na família, na escola e nas religiões sim, sejam estas Igrejas cristãs, Sinagogas judaicas, Mesquitas muçulmanas ou quaisquer outras formas de manifestação de fé e crença. Cite-se uma só dentre elas que defenda a legalização do aborto. Não haverá. Mesmo que o assunto no momento não seja manchete das mídias, os justos não podem baixar a guarda. Ainda que um dia essa questão se torne objeto de plebiscito e voto popular, como cidadão politizado e cristão convicto lutarei contra essa infâmia. O aborto voluntário e provocado é crime e que assim permaneça definitivamente. Conclamo os justos e de boa vontade, a que, para a pretensa legalização do aborto, sempre, digam e votem: não! 

Rubens Hering (58) – Economista e Cristão, foi candidato a Senado/PR em 2010, pelo PV.



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